O amor na sala escura
Clarisse Escorel
Entre o Rio de Janeiro dos anos 1990 e a São Paulo do início dos anos 2000, uma mulher revisita a história que marcou sua juventude: um amor precoce, avassalador e, desde o início, ameaçado por desencontros e pela incapacidade de ambos de lidar com a intensidade do que viviam.
A partir de um reencontro fortuito anos depois — um mesmo voo, um táxi compartilhado na saída do aeroporto — a conversa entre os antigos namorados reabre feridas e faz a narradora mergulhar nas memórias que resistem ao tempo e na dor que moldou sua formação afetiva. Entre lembranças luminosas e episódios que revelam inseguranças e opressão, ela recompõe a trajetória de uma relação que não soube nem durar nem desaparecer.
Em uma prosa sensível e precisa, Clarisse Escorel constrói um romance sobre a força do primeiro amor, o impacto duradouro da rejeição, os fantasmas que atravessam a vida adulta e o trabalho de reescrever a própria história para enfim poder habitá-la. O amor na sala escura é um livro sobre o que permanece, mesmo quando tudo parece ter ficado para trás.
“Uma história de amor precisa de uma ótima autora. Alguém que coloque em palavras o estranho sentimento de que nossa felicidade, quando apaixonados, pertence a outro ser. Em O amor na sala escura, Clarisse Escorel narra as desordens e delícias de um coração que foi tocado por ‘uma tempestade de vento implacável, daquelas que arrastam sem dó tudo o que veem pela frente’. A autora acertou no tema. Estreia no romance com uma firmeza de veterana.”
Adriana Lunardi
“Clarisse Escorel chegou cheia de fôlego. Mulher que leva a sério o dom exigido por Graciliano Ramos: ‘As palavras são para dizer, não para enfeitar’”.
Ignácio Loyola Brandão
“Este romance, cheio de arte e singularidades, demonstra a inteligência de Clarisse Escorel ao nos dizer como um amor pode transitar entre dois séculos, captando o espírito de cada um deles e neles acrescentando sua própria experiência humana e intelectual – enfim, uma literatura que resistirá às modas, garantindo sua permanência.”
Luiz Antonio Assis Brasil
Texto de orelha
“Uma vez, alguém disse que deveríamos começar uma conversa não com ‘o que você faz?’, mas com ‘você está apaixonado?’, afinal, as duas perguntas são profundas só que uma delas é mais monótona. Catarina e Daniel são duas pessoas com as quais eu cruzei, tenho certeza, quando morei no Rio, anos 1990, enquanto andávamos pela cidade maravilhosa, kamikazes, carregando essa bola de fogo, essa teia grudenta que é estar apaixonada.
A impossibilidade de resguardar a experiência febril é o que compõe boas histórias porque as boas histórias, se estivermos atentos, são as nossas. O amor na sala escura não parece, mas é um romance de estreia. Clarisse Escorel sabe, com força, o que quer contar e constrói uma teia de amigas, amores e cartografias que, paradoxalmente, gruda a narradora remetente enquanto também serve como a rede que estará lá quando ela cair. E Catarina cai superlativamente. A queda da protagonista desse romance, que poderia ser uma longa carta não enviada ou aqueles fogos de artifício que explodem num rastro de faísca que gira selvagemente até morrer, é mais dura.
Em Romeu e Julieta, Frei Lourenço diz sobre os amantes que os prazeres violentos têm fins violentos. Não é mentira, mas há um olhar extra na obviedade da frase sobre a paixão. Ao se reencontrar com Daniel, por acaso, num aeroporto e dividir o táxi com ele, Catarina tem a oportunidade de rever de perto, depois de anos, a fera que a matou.”
Nara Vidal
Sobre A autorA
Clarisse Escorel é carioca, formada em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestre em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo (USP). Atuou na área de Propriedade Intelectual e Direitos Autorais e, desde 2019, vem se dedicando à literatura. Seu primeiro livro, Depois da chuva, uma coletânea de crônicas, foi publicado em 2023 pela editora Ouro sobre azul. Em 2024 publicou a plaquete Diamantes pela editora Mapa Lab. Desde março de 2025 é cronista do jornal Rascunho. O amor na sala escura é seu primeiro romance.
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